

diálogos do ancestral ao contemporâneo
Máyy koffler e Carlo Cury
ETNIAS AMERICANAS
Existe nas Américas uma tradição cerâmica ancestral que remete às culturas pré-coloniais. O conhecimento de técnicas em cerâmica sobrevive através dos tempos remotos, se molda e evolui na perspectiva das necessidades e gostos dos povos atuais. Assim ocorre em Guaitil de Santa Cruz, Costa Rica onde, a partir de reprodução de peças de arqueologia Chorotega, as técnicas ancestrais são aplicadas na cerâmica artesanal atual.
Óxidos de diferentes cores são extraídos do solo de uma montanha sagrada para confecção de englobes. O brilho intenso das peças é obtido pela paciente brunidura em cada camada aplicada. Isso também é verdade para descendentes da etnia Carti-Pasto do Equador, que decoram as peças sonoras e de utilitários com engobe.
Ainda no Equador, indígenas da etnia Kichwa apresentam riquíssima coleção de peças em cerâmica ritualísticas / festivas, as chamadas “mucahua “ nas quais são servidas bebidas frias e não alcoólicas.
Os objetos são pintados a mão com pincel de cabelo e finalizados com resina vegetal chamada shilquillu. Após o uso em festejos de casamento, as peças são quebradas como parte do ritual. Claudio Luiz Dias Eng.
Agrônomo e Mestre em Geociências Espaço Hartãt-Acervo Indígena Etnias da Amazônia peruana, como os Shippibo, Shawi e Awajun possuem suas cerâmicas muito características, tanto na forma como nos grafismos, sendo que alguns remetem às mirações tidas durante o uso de medicinas da floresta.
E na região andina, onde o Império Inca se sobrepunha às extensas terras que hoje chamamos de Peru, Chile, Colômbia, Equador, Bolívia, Chile e Argentina, artesãos de cusco ainda reproduzem com maestria os Keros (taças), pratos e outos utilitários à moda Inca, uma resistência secular às invasões culturais.
A reunião de obras aqui apresentadas, integrantes do acervo do Espaço Hartãt, apesar de pequena diante de todo o universo conhecido de peças e povos das Américas, traz uma importante reflexão sobre o papel da cerâmica para pesquisar essas culturas.
Claudio Luiz Dias
Eng. Agrônomo e Mestre em Geociências
Espaço Hartãt-Acervo Indígena































